Herpes Zóster (Cobreiro): Sintomas, Tratamento e Vacina | Minuto Saúde

Entenda o que é a Herpes Zóster, quais os sintomas do "cobreiro", como funciona a vacina de alta eficácia e o que a ciência diz sobre a proteção.

Daniel Felipe

9/7/20265 min ler

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Herpes Zóster e a Vacina que Previne o "Cobreiro": O Que Você Precisa Saber para se Proteger

Você já ouviu falar no popular "cobreiro"? Esse é o nome carinhoso — e antigo — dado à Herpes Zóster, uma doença infecciosa conhecida por provocar lesões avermelhadas na pele acompanhadas de uma dor intensa, frequentemente comparada a queimaduras ou choques elétricos.

Embora o nome traga a palavra "herpes", a Herpes Zóster não tem relação com o vírus da herpes labial ou genital comum. Trata-se da reativação de um velho conhecido da maioria dos brasileiros: o vírus da catapora.

Neste artigo, vamos explicar de forma simples e direta o que é essa doença, como ela surge no corpo, quais são suas complicações e como a nova vacina representa um dos maiores avanços da medicina para a saúde e a qualidade de vida.

O Que É a Herpes Zóster e Por Que Ela Surge?

A Herpes Zóster é causada pelo vírus Varicela-Zóster — o mesmo agente responsável pela catapora na infância.

Quando uma pessoa pega catapora e se recupera, o vírus não desaparece do corpo para sempre. Em vez disso, ele "dorme" (entra em estado de latência) nos gânglios nervosos ao longo da coluna vertebral por toda a vida.

Com o passar dos anos, ou durante períodos em que o nosso sistema de defesa (imunidade) passa por uma queda natural, o vírus pode "despertar". Ele caminha pelos trajetos dos nervos até chegar à pele, provocando a eclosão das feridas características do Zóster.

Entre os principais fatores que facilitam a reativação do vírus, destacam-se:

  • O envelhecimento natural: O sistema imunológico perde gradativamente a capacidade de manter o vírus adormecido à medida que envelhecemos, especialmente após os 50 anos.

  • Estresse físico ou emocional extremo: Situações de desgaste prolongado reduzem a resposta imune do organismo.

  • Doenças ou tratamentos imunossupressores: Pessoas em tratamento contra o câncer, transplantados ou com doenças autoimunes têm risco significativamente maior.

Quais São os Sintomas e Sinais de Alerta?

Geralmente, a doença dá os seus primeiros sinais antes mesmo do aparecimento de qualquer ferida visível na pele.

  1. A Fase Inicial (Prodromos): A pessoa começa a sentir uma queimação, formigamento, agulhadas ou extrema sensibilidade ao toque em uma faixa específica do corpo (como no tórax, nas costas, na cintura ou no rosto).

  2. O Surgimento das Lesões: Dias depois, surgem manchinhas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas d'água (vesículas). Uma característica marcante do Zóster é que ele costuma afetar apenas um lado do corpo (acompanhando o trajeto do nervo afetado), sem ultrapassar a linha média da coluna.

  3. A Fase de Cicatrização: As bolhinhas se rompem, ganham cascas (crostas) e secam em um período de 2 a 4 semanas.

A Maior Complicação: A Nevralgia Pós-Herpética

Embora as feridas na pele desapareçam em poucas semanas, o maior perigo da Herpes Zóster reside em uma complicação conhecida como Nevralgia Pós-Herpética (NPH).

Como o vírus se multiplica diretamente nos nervos, ele pode causar uma inflamação profunda na estrutura nervosa. Em muitas pessoas — especialmente idosas —, a dor intensa e em queimação persiste na região afetada por meses ou até anos após o desaparecimento das lesões de pele. Essa dor crônica afeta drasticamente o sono, o humor e a independência no dia a dia.

A Vacina Contra a Herpes Zóster: O Que Diz a Ciência?

A boa notícia é que a prevenção contra essa doença passou por uma revolução nos últimos anos. Atualmente, a vacina Shingrix (desenvolvida pela farmacêutica GSK) é considerada o padrão-ouro de proteção no mundo todo.

Trata-se de uma vacina recombinante e inativada (ou seja, não contém o vírus vivo), aplicada em um esquema de duas doses, com intervalo de 2 a 6 meses entre elas.

1. Alta Eficácia Comprovada

Estudos clínicos de grande porte publicados no periódico científico The New England Journal of Medicine (Lal et al., 2015; Cunningham et al., 2016) demonstraram que a vacina apresenta uma eficácia superior a 90% a 97% na prevenção da Herpes Zóster em adultos com mais de 50 anos, além de reduzir drasticamente os casos de nevralgia pós-herpética.

2. Segurança para Pessoas Imunocomprometidas

Por ser uma vacina inativada, ela oferece uma margem de segurança elevada e pode ser indicada para pessoas a partir dos 18 anos que possuem o sistema imunológico fragilizado — um público que antes não podia receber as versões antigas de vírus vivo.

3. Proteção Adicional contra o Declínio Cognitivo?

Pesquisas epidemiológicas recentes, como um estudo observacional de grande escala publicado na prestigiada revista Nature Medicine (Taquet et al., 2024), indicam uma associação muito promissora: pessoas vacinadas contra o vírus Varicela-Zóster apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver declínio cognitivo e formas de demência (como o Alzheimer) em comparação com pessoas não vacinadas. A hipótese dos cientistas é que evitar as reativações virais protege os nervos e o cérebro de processos inflamatórios crônicos.

Quem Deve se Vacinar e Como Encontrar a Vacina?

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) recomendam a vacinação para:

  • Adultos a partir dos 50 anos de idade, independentemente de lembrarem ou não se tiveram catapora no passado.

  • Adultos a partir dos 18 anos com risco aumentado de zóster devido a condições de saúde ou tratamentos que reduzam a imunidade.

  • Pessoas que já tiveram Herpes Zóster no passado, pois a infecção natural não garante imunidade permanente e novos surtos podem acontecer.

No Brasil, a vacina Shingrix está disponível na rede privada de clínicas de vacinação. Sociedades médicas e órgãos de saúde pública debatem a importância da inclusão progressiva do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS) para grupos de maior vulnerabilidade.

Conclusão

A Herpes Zóster é uma doença dolorosa e silenciosa, mas que hoje pode ser evitada com o avanço da imunização. Cuidar da saúde na maturidade envolve manter as vacinas atualizadas, garantindo bem-estar, autonomia e qualidade de vida em todas as fases da vida.

Referências Científicas Consultadas

  1. LAL, H. et al. Efficacy of an Adjuvanted Herpes Zoster Subunit Vaccine in Older Adults. The New England Journal of Medicine, v. 372, p. 2087–2096, 2015.

  2. CUNNINGHAM, A. L. et al. Efficacy of the Herpes Zoster Subunit Vaccine in Adults 70 Years of Age or Older. The New England Journal of Medicine, v. 375, p. 1019–1032, 2016.

  3. TAQUET, M. et al. The recombinant shingles vaccine is associated with lower risk of dementia. Nature Medicine, 2024.

  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Guia de Imunização da Pessoa Idosa e Imunocomprometida. São Paulo, 2023/2024.

Aviso Legal: Este conteúdo possui caráter exclusivamente educativo e de utilidade pública. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou a orientação médica individualizada. Caso apresente sinais de dor ou lesões na pele, consulte um médico na Unidade Básica de Saúde ou clínica de sua confiança.